sábado, 11 de fevereiro de 2012

Uma parte do artigo que está no livro

CLASSE HOSPITALAR: UM DIREITO PARA TODAS AS CRIANÇAS HOSPITALIZADAS?
Autores: Tyara Carvalho de Oliveira (Pedagoga (UERJ), especialista em Educação Especial UCAM/RJ e em Pedagogia Hospitalar UGF/RJ E-mail: tyara.oliveira@gmail.com)
Prof. Robson Cavalcante (mestre em Educação FEBF/UERJ)


Um grande avanço tem sido observado na legislação brasileira em termos de preocupação com a garantia dos direitos de cidadania. A repercussão desse avanço se faz notar em múltiplos segmentos e setores da sociedade, através de mídias diversas as quais alcançam desde as classes mais economicamente desfavorecidas às mais abastadas.
Os Parâmetros Curriculares Nacionais – PCN –, destinados aos anos iniciais de escolarização, no seu volume introdutório, alertam para a relação entre a prática escolar e a constituição da cidadania, fomentada, entre outros fatores, pela garantia ao acesso de todos aos saberes elaborados socialmente. Em termos de acesso à educação escolar, o debate acerca do direito acerca da aquisição e continuidade das aprendizagens consideradas como típicas do processo de escolarização está inserida também na reflexão acerca de propostas de um trabalho pedagógico que contemple os conhecimentos, saberes, fazeres e conteúdos escolares no ambiente hospitalar.
O entendimento que considera ser a internação hospitalar um processo que não impede a inserção do sujeito – crianças e adolescentes – num “mundo novo de novos conhecimentos” que podem ir, por exemplo, da alfabetização a conceitos matemáticos, históricos e geográficos, está na pauta dos assuntos educacionais há décadas.
A implantação de um projeto pedagógico, com todas as suas peculiaridades, desde o planejamento dos conteúdos a serem desenvolvidos, levando em consideração aspectos como o tempo – do aprendiz e das atividades em si – e o espaço, que pode ser mais profícuo a partir das interferências do profissional da área educacional, além do caráter intencional das inserções pedagógicas, o fato a considerar é que o ambiente hospitalar é um dos cenários não-escolares onde pode ocorrer um processo explicitamente educacional.
A existência de um atendimento pedagógico hospitalar existe há algum tempo no Brasil. Segundo se sabe, data de agosto de 1950, e foi desenvolvido no Hospital Municipal Jesus, localizado no Rio de Janeiro. Porém segundo Caiado (2003) ainda no Brasil Colônia, em 1600, foi criado o primeiro atendimento escolar à pessoa deficiente, na Santa Casa de Misericórdia na cidade de São Paulo. Esse atendimento era oferecido somente aos deficientes físicos. A normalização desse atendimento ocorreu entre os anos de 2001 e 2002 com os documentos do MEC intitulados de: Diretrizes Especiais para Educação Especial na Educação Básica (Resolução CNE/CEB n° 2 de 11/09/2001) e Classe Hospitalar e Atendimento pedagógico domiciliar: orientações e estratégias (MEC, 2002). Embora a Política Nacional de Educação Especial – Um Direito assegurado, também um documento do MEC, tenha feito alusão a classe hospitalar em 1994. Hodiernamente, tem-se a informação, através de um mapeamento nacional feito pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro/UERJ, sob a coordenação da professora Eneida Fonseca, que o Brasil possui classes hospitalares em 101 hospitais, sendo 16 infantis, localizados em 17 Estados e no Distrito Federal. Desse total, 45% dos alunos freqüentam a Educação Infantil, e 51%, o Ensino Fundamental. Os estados de São Paulo e Rio de Janeiro são os que têm maior concentração de classes hospitalares, sendo seguidos pelos estados da Bahia, Distrito Federal e Santa Catarina. No entanto, através de investigações constantes realizadas em pesquisas anteriores a esta, foram percebidas possíveis situações nas quais, apesar dos documentos de normatização já citados e de uma implementação oficial de classes hospitalares em determinadas instituições de natureza hospitalar, parece que há a existência, de natureza até o momento desconhecida, de uma possível seleção dentro das Unidades Hospitalares dos pacientes/alunos que irão ser atendidos por essa modalidade de educação, o que desde um primeiro momento contraria o ideário tanto de especialistas na área educacional quanto de leigos, de que a educação é para todos.
Tem-se observado a diferenciação de critérios de seleção de crianças que possuem doenças consideradas mais graves, crônicas ou congênitas, como, por exemplo, o câncer, a AIDS, o diabetes e a febre reumática. Às crianças portadoras de doenças consideradas “menos graves”, verifica-se que são propostas atividades de contexto pedagógico vazio, atividades supostamente “recreativas”, sem qualquer preocupação com alguma intenção de aprendizagem. As crianças consideradas “menos graves” são atendidas através de recursos como brinquedotecas e contadores de histórias, e projetos como “Doutores da Alegria”. Deve-se chamar a atenção para a hipótese de que essa diferenciação entre “mais graves” e “menos graves” pode ocorrer por falta de conhecimento ou má interpretação das leis que normatizam a classe hospitalar ou por um “excesso de zelo” que consiste na idéia de não expor as crianças menos graves observando critérios éticos possivelmente decorrentes do artigo 18 do Estatuto da Criança e do Adolescente, o qual preconiza ser “dever de todos velar pela dignidade da criança e do adolescente, pondo-os a salvo de qualquer tratamento desumano, violento, aterrorizante, vexatório ou constrangedor”. Vale destacar que, no que diz respeito à relevância deste estudo, busca-se aprofundar a reflexão acerca do direito à educação, promovendo possíveis interfaces entre ações pedagógicas de caráter escolarizador procedidas no espaço tipicamente escolar e essas mesmas ações promovidas no âmbito hospitalar, a partir do que os PCN preconizam: “A escola, ao tomar para si o objetivo de formar cidadãos capazes de atuar com competência e dignidade na sociedade, buscará eleger, como objeto de ensino, conteúdos que estejam em consonância com as questões sociais que marcam cada momento histórico, cuja aprendizagem e assimilação são as consideradas essenciais para os alunos possam exercer seus direitos e deveres”.
Não obstante, de acordo com a Constituição Federal de 1988, o Estatuto da Criança e do Adolescente de 1990 e a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Brasileira de 1996, a educação é um direito de todos, conforme já foi apontado. O objetivo deste trabalho é analisar criticamente os critérios de encaminhamento das crianças e adolescentes hospitalizadas para o atendimento pedagógico hospitalar, denominado de classe hospitalar; busca-se, concomitantemente, investigar se há uma possível categorização quando do encaminhamento das crianças e adolescentes para o atendimento pedagógico hospitalar; e mais, procurar-se-á investigar se existe um critério paralelo de encaminhamento das crianças hospitalizadas, e ainda, caso positivo, descrever e caracterizar esses critérios de diferenciação no encaminhamento das crianças e adolescentes hospitalizados a este atendimento pedagógico, conhecido como classe hospitalar.
Uma pedagogia da exclusão: Desde dos tempos mais remotos se observa na historia universal teorias e praticas sociais excludentes, principalmente, no que diz respeito à aquisição do conhecimento. Os indivíduos com deficiências eram vistos como “doentes” e incapazes, ocupando no imaginário das pessoas, o lugar daquele que precisa da caridade popular e da atenção especial da assistência social. Não eram vistos como pessoas com direitos sociais entre os quais se incluiu a educação.
Nos dias de hoje, ainda se constata a dificuldade de aceitação do diferente no ambiente familiar e social, principalmente, do portador de deficiências múltiplas e graves, que na escola pode apresentar dificuldades mais acentuadas de aprendizagem. Cada individuo com necessidades especiais vai requerer diferentes estratégias pedagógicas, que lhes possibilitem o acesso à herança cultural, ao conhecimento que foi construído pela sociedade e a vida produtiva: parte das condições para a inclusão e para o pleno exercício da cidadania.
Entende-se, em geral, por inclusão, a garantia a todos de acesso ao espaço comum da vida em sociedade. Sociedade essa que precisa ser orientada por relações de acolhimento a diversidade humana, de aceitação das diferenças e da igualdade de oportunidades. Até bem pouco tempo a teoria e a prática dominantes eram as de separar as pessoas com necessidades especiais em escolas ou classes especiais.
Para tentar eliminar os preconceitos e integrar os alunos portadores de deficiências nas escolas comuns do ensino regular, é que surgiu o movimento de integração escolar. Esse movimento se caracterizou de inicio, pela utilização das classes especiais (integração parcial) na preparação do aluno para a integração total na classe comum. Atualmente, com o movimento pela superação da ideologia de exclusão, favoreceu - se a implantação da política de inclusão. A legislação brasileira se caracteriza pelo atendimento dos alunos com necessidades especiais preferencialmente em classes regulares das escolas, em todos os níveis, etapas e modalidades de educação e ensino.
O grande desafio da Educação atualmente é: garantir o acesso aos conteúdos básicos que a escolarização deve proporcionar a todos os indivíduos, inclusive aqueles com necessidades educacionais especiais.

sábado, 22 de outubro de 2011

Trabalho Aprovado para o X EDUCERE ( 2011) na PUC-PR

A INCLUSÃO DO PEDAGOGO HOSPITALAR NA EQUIPE MULTIPROFISSIONAL DE SAÚDE

OLIVEIRA, Tyara Carvalho de – SME/DC/RJ

tyara.oliveira@gmail.com

Eixo Temático: Pedagogia Hospitalar

Agencia Financiadora: não contou com financiamento

Resumo

As transformações na sociedade contemporânea contribuíram para consolidar o entendimento da educação como um fenômeno multifacetado. A educação hoje não é mais vivenciada apenas na escola. Há a necessidade cada vez mais premente de capacitar e trabalhar com profissionais da educação (professores, diretores, coordenadores, pedagogos) que respondam e atendam a diversidade das demandas da sociedade atual. As novas possibilidades de atuação desses profissionais rompem as barreiras e ultrapassam os muros da escola. Daí a necessidade do Pedagogo em diferentes ambientes educacionais localizados fora da escola. Nas empresas, nas organizações não governamentais (ONGs), nos meios de comunicações, nos órgãos sistêmicos (Secretarias, Ministérios) e nos hospitais esse profissional e requisitado para atender as novas demandas sociais. Esse artigo tem como objetivo: 1) mapear a função do pedagogo identificando a função e abrangência de atuação, 2) refletir sobre a formação do Pedagogo e sua profissionalização, 3) analisar os limites de atuação desse profissional procurando elencar fatores que dificultam a sua ação pedagógica nos ambientes educacionais não escolares neste caso o ambiente hospitalar. Ainda chama atenção para desconhecimento por parte dos profissionais da área da saúde, independente do seu grau de formação, das determinações legais que determinam a necessidade do oferecimento de atendimento pedagógico no ambiente hospitalar. Outro dado relevante indica que as pesquisas sobre formação de professores para atuar em hospitais mostram que formação docente centra-se no cotidiano da escola regular e os cursos de formação de profissionais da saúde não consideram o professor como participante da equipe multidisciplinar que trabalha no ambiente hospitalar. Mas afinal qual será a função/atuação do Pedagogo Hospitalar na equipe Multiprofissional de Saúde?

Palavras-chave:. Educação Hospitalar. Pedagogia Hospitalar. Equipe Multiprofissional

sábado, 24 de setembro de 2011

Trabalho Aprovado para a XIV Semana Cientifica do Centro Universitário de Barra Mansa/RJ

UMA CLASSE POUCO CONHECIDA: as classes hospitalares

Autor: Tyara Carvalho de Oliveira

No contexto atual não cabe falar apenas de escola inclusiva, mas, sim, de sociedade inclusiva. Um dado no mínimo curioso a ser acrescentado diz respeito ao desconhecimento por parte dos alunos do Curso de Pedagogia a respeito de algumas modalidades da Educação Inclusiva. Esse trabalho torna-se relevante na medida em que essa modalidade de educação ainda é pouco conhecida, inclusive nos meios educacionais e da saúde. Esse desconhecimento provoca equívocos tanto por parte das famílias cujos filhos precisam ficar hospitalizados por algum tempo, e mesmo em termos do atendimento pedagógico a ser oferecido. Assim, passa a ser um desafio, inclusive para os cursos de formação de professores em termos da difusão da informação e mesmo de uma formação que inclua esse campo de atendimento educacional. O atendimento pedagógico hospitalar, denominado Classe Hospitalar, é uma dessas modalidades “desconhecidas”. O estar hospitalizado já caracteriza a criança e/ou adolescente como portador de necessidades especiais independentemente que essa necessidade seja temporária ou permanente. A criança e/ou adolescente é um cidadão que tem o direito ao atendimento de suas necessidades e interesses mesmo quando está doente. Em termos da prática pedagógica da classe hospitalar, esta implica interligações dos diversos aspectos de sua realidade (a criança, a patologia, os pais, os profissionais da saúde, o professor) com a realidade fora do hospital (Fonseca, 2003). Tal prática implica, inclusive, maior atenção dos Cursos de Formação de Professores quanto às possibilidades de atuação e formação que emergem das demandas mais amplas da sociedade. As demandas da sociedade transformam-se, necessariamente, em demandas de formação.

sábado, 13 de agosto de 2011

SABER PEDAGÓGICO EM AMBIENTE HOSPITALAR: mapeando elementos do fazer e do agir.

Autores: Tyara Carvalho de Oliveira. Aluna de Pós-Graduação UCAM/RJ

Prof Dra. Amélia Escotto do Amaral Ribeiro. UERJ/FEBF e INES

Este estudo se propõe a investigar os mecanismos através dos quais o saber pedagógico hospitalar se constitui. Toma como pressuposto que ainda não existe no processo de formação inicial do professor “conteúdos de formação” sobre espaços alternativos de atuação docente, como os referentes ao ambiente hospitalar. Torna-se, pois, relevante explicitar as formas como esse saber docente se constrói. Isto é, de que maneira o saber pedagógico hospitalar, enquanto um saber que se constitui na e pela ação, encontra (ou não) marcas das lembranças (marcas simbólicas) da formação inicial. Assim, através da analise de relatos de professores que atuam em ambiente pedagógico hospitalar, pontuam-se aspectos relacionados a: razões que o motivaram a esse tipo de atuação , estratégias de estruturação do fazer e do saber pedagógico, e que elementos da formação inicial orientam sua prática. Resultados parciais indicam que, ainda não se tem dados da prática pedagógica exercida no ambiente pedagógico hospitalar que permitam a proposição de um estatuto desse saber.

Palavras-Chaves: Formação de Professores, Classes Hospitalares, Saber Docente.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS:

AROSA, Armando C.; SCHILKE, Ana Lúcia. A Escola no Hospital: espaço de experiências emancipadoras. Niterói:Intertexto, 2007.

MATOS, Elizete Lúcia Moreira; MUGIATTI, Margarida Maria Teixeira de Freitas. Pedagogia Hospitalar: a humanização integrando educação e saúde. Petrópolis. RJ. Vozes, 2006.

SHÖN, D. A . Educando o professor reflexivo:um novo design para o ensino e aprendizagem.PortoAlegre: ArtesMédicas Sul, 2000.

TARDIF, M., LESSARD, C. O trabalho docente: elementos para uma teoria da docênciacomo profissão de interações humanas.Petropólis,RJ, Vozes,2005.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

"INDICAÇÕES PARA ATUAÇÃO DOCENTE EM CLASSES HOSPITALARES

Oliveira, Tyara Carvalho de, Ribeiro, Amélia Escotto do Amaral. (2006)
"INDICAÇÕES PARA ATUAÇÃO DOCENTE EM CLASSES HOSPITALARES", em I
Fórum Nacional de Atendimento Escolar Hospitalar. São Paulo, Brasil.

Resumo Expandido

Tyara Carvalho de Oliveira
Pós Graduada em Gestão em Saúde e Administração Hospitalar -
Universidade Estácio de Sá/RJ
Amélia Escotto do Amaral Ribeiro
Doutora em Educação, Mestre em Educação e Mestre em Filosofia pela
PUC/RJ. Professora da UERJ/FEBF.

Esse texto amplia a reflexão a respeito da formação de professores, em um contexto social de demandas múltiplas, redefinindo espaços de atuação. Dentre estes, as Classes Hospitalares. Aprofundar a reflexão e o conhecimento sobre a Classe Hospitalar enquanto campo de atuação docente justifica-se na medida em que se observa certo desconhecimento a respeito dos aspectos conceituais e teórico-metodológicos que envolvem essa modalidade de ensino. A relevância de estudos neste campo relaciona-se com a possibilidade de desvelar para os Cursos de Formação de professores, um universo tanto conceitual quanto de atuação. Resultados parciais de pesquisa descritiva realizada em diferentes espaços hospitalares revelam que um dos desafios a ser superado se refere às especificidades da prática docente nessa modalidade de ensino. Os dados coletados ratificam o que a literatura sobre o tema vem apontando. Em outras palavras, o professor de classe hospitalar desempenha um papel de mediador entre a criança e o hospital; para a criança ou adolescente hospitalizado, o contato com o professor e com a classe hospitalar é uma oportunidade de ligação com os padrões da vida cotidiana e com a vida em casa e na escola (Fonseca, 2003). Acrescenta-se ser indispensável o conhecimento das patologias mais freqüentes na unidade hospitalar em que atua para saber dos limites clínicos do paciente-aluno. Daí a necessidade de um preparo pedagógico, associado a uma orientação pedagógica especifica ao campo de atuação da classe hospitalar (Ortiz, 2000). Quanto ao perfil pedagógico - educacional, torna-se relevante a adequação à realidade hospitalar, o respeito às potencialidades do aluno, motivando e facilitando sua inclusão no contexto escolar hospitalar. Tal inclusão implica estímulo à criança, tendo o conhecimento como elo entre o desejo de saber e a superação do distanciamento entre as necessidades curriculares (de cada criança) e o ambiente hospitalar. O MEC (2002), no documento "Classe Hospitalar e atendimento Pedagógico domiciliar: estratégias e orientações" recomenda ao professor coordenador da proposta pedagógica da classe hospitalar ou em atendimento domiciliar o conhecimento sobre a dinâmica e o funcionamento dessa modalidade de ensino, assim como as técnicas pedagógicas e terapêuticas dela decorrentes, as rotinas da enfermaria, dos serviços ambulatórias e das estruturas de assistência social. Sua atuação articula-se com a equipe de saúde do hospital, com a Secretaria de Educação, com a escola de origem do educando de modo a orientar os professores de forma mais adequada.Sugere-se que tenha formação em Educação Especial, em Pedagogia ou Licenciaturas; que tenha noções sobre as doenças e condições psicossociais vivenciadas pelos educandos e suas características. E, ainda, adequar e adaptar o ambiente às atividades e aos materiais, planejar o dia-a-dia da turma, registrar e avaliar o trabalho pedagógico desenvolvido.Assim, exige-se um professor capacitado para trabalhar com a diversidade humana e cultural, para identificar as necessidades educacionais especiais dos educandos impedidos de freqüentar a escola, definindo e implantando estratégias de flexibilização e adaptação curriculares.

Palavras- Chave: Formação de Professores; Classe Hospitalar;
criança/adolescente hospitalizado.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
FONSECA, E.S. Atendimento Escolar no Ambiente Hospitalar. São Paulo: Memnon. 2003
MEC/SEESP. Classe Hospitalar e atendimento pedagógico domiciliar: estratégias e orientações.Brasília.
MEC/SEESP.2002
ORTIZ, Leodi Conceição Meireles. Construindo classe hospitalar: relato de uma pratica educativa em clinica pediátrica. Revista reflexão e Ação, v.8, n.1,p.93-100, jan/jun.2000.


quinta-feira, 7 de julho de 2011

AS CLASSES HOSPITALARES COMO MODALIDADE DE INCLUSÃO


Autores: Tyara Carvalho de Oliveira (Pós-Graduação UESA)

Prof. Dra. Amélia Escotto do Amaral Ribeiro FEBF/UERJ

No contexto atual não cabe falar apenas de escola inclusiva, mas, sim, de sociedade inclusiva. Isto se justifica na medida em que a inclusão não se restringe apenas aos portadores de algum tipo de deficiência; estende-se a todos que, de alguma forma, precisam ser incluídos (minorias étnicas,....). No contexto brasileiro, observa-se que a escola, na maioria das vezes, estrutura-se predominantemente para atender ao aluno ideal. Como conseqüência, constrói-se no imaginário institucional e pedagógico protótipos do que seja esse “aluno ideal”, e os alunos passam a serem classificados em duas categorias, qualitativamente distintas: os ditos “normais” e os “anormais”. Romper com essa visão dualista é o primeiro desafio a ser enfrentado pelo professor. Um dado no mínimo curioso a ser acrescentado diz respeito ao desconhecimento por parte dos alunos do Curso de Pedagogia a respeito de algumas modalidades da Educação Inclusiva.

O atendimento pedagógico hospitalar, denominado Classe Hospitalar, é uma dessas modalidades “desconhecidas”. O estar hospitalizado já caracteriza a criança e/ou adolescente como portador de necessidades especiais independentemente que essa necessidade seja temporária ou permanente. Assim, a classe hospitalar não inviabiliza os conceitos de integração e normalização. A criança e/ou adolescente é um cidadão que tem o direito ao atendimento de suas necessidades e interesses mesmo quando está doente. Em termos da prática pedagógica da classe hospitalar, esta implica interligações dos diversos aspectos de sua realidade (a criança, a patologia, os pais, os profissionais da saúde, o professor) com a realidade fora do hospital (Fonseca, 2003). Tal prática implica, inclusive, maior atenção dos Cursos de Formação de Professores quanto as possibilidades de atuação e formação que emergem das demandas mais amplas da sociedade. As demandas da sociedade transformam-se, necessariamente, em demandas de formação.