segunda-feira, 25 de julho de 2011

"INDICAÇÕES PARA ATUAÇÃO DOCENTE EM CLASSES HOSPITALARES

Oliveira, Tyara Carvalho de, Ribeiro, Amélia Escotto do Amaral. (2006)
"INDICAÇÕES PARA ATUAÇÃO DOCENTE EM CLASSES HOSPITALARES", em I
Fórum Nacional de Atendimento Escolar Hospitalar. São Paulo, Brasil.

Resumo Expandido

Tyara Carvalho de Oliveira
Pós Graduada em Gestão em Saúde e Administração Hospitalar -
Universidade Estácio de Sá/RJ
Amélia Escotto do Amaral Ribeiro
Doutora em Educação, Mestre em Educação e Mestre em Filosofia pela
PUC/RJ. Professora da UERJ/FEBF.

Esse texto amplia a reflexão a respeito da formação de professores, em um contexto social de demandas múltiplas, redefinindo espaços de atuação. Dentre estes, as Classes Hospitalares. Aprofundar a reflexão e o conhecimento sobre a Classe Hospitalar enquanto campo de atuação docente justifica-se na medida em que se observa certo desconhecimento a respeito dos aspectos conceituais e teórico-metodológicos que envolvem essa modalidade de ensino. A relevância de estudos neste campo relaciona-se com a possibilidade de desvelar para os Cursos de Formação de professores, um universo tanto conceitual quanto de atuação. Resultados parciais de pesquisa descritiva realizada em diferentes espaços hospitalares revelam que um dos desafios a ser superado se refere às especificidades da prática docente nessa modalidade de ensino. Os dados coletados ratificam o que a literatura sobre o tema vem apontando. Em outras palavras, o professor de classe hospitalar desempenha um papel de mediador entre a criança e o hospital; para a criança ou adolescente hospitalizado, o contato com o professor e com a classe hospitalar é uma oportunidade de ligação com os padrões da vida cotidiana e com a vida em casa e na escola (Fonseca, 2003). Acrescenta-se ser indispensável o conhecimento das patologias mais freqüentes na unidade hospitalar em que atua para saber dos limites clínicos do paciente-aluno. Daí a necessidade de um preparo pedagógico, associado a uma orientação pedagógica especifica ao campo de atuação da classe hospitalar (Ortiz, 2000). Quanto ao perfil pedagógico - educacional, torna-se relevante a adequação à realidade hospitalar, o respeito às potencialidades do aluno, motivando e facilitando sua inclusão no contexto escolar hospitalar. Tal inclusão implica estímulo à criança, tendo o conhecimento como elo entre o desejo de saber e a superação do distanciamento entre as necessidades curriculares (de cada criança) e o ambiente hospitalar. O MEC (2002), no documento "Classe Hospitalar e atendimento Pedagógico domiciliar: estratégias e orientações" recomenda ao professor coordenador da proposta pedagógica da classe hospitalar ou em atendimento domiciliar o conhecimento sobre a dinâmica e o funcionamento dessa modalidade de ensino, assim como as técnicas pedagógicas e terapêuticas dela decorrentes, as rotinas da enfermaria, dos serviços ambulatórias e das estruturas de assistência social. Sua atuação articula-se com a equipe de saúde do hospital, com a Secretaria de Educação, com a escola de origem do educando de modo a orientar os professores de forma mais adequada.Sugere-se que tenha formação em Educação Especial, em Pedagogia ou Licenciaturas; que tenha noções sobre as doenças e condições psicossociais vivenciadas pelos educandos e suas características. E, ainda, adequar e adaptar o ambiente às atividades e aos materiais, planejar o dia-a-dia da turma, registrar e avaliar o trabalho pedagógico desenvolvido.Assim, exige-se um professor capacitado para trabalhar com a diversidade humana e cultural, para identificar as necessidades educacionais especiais dos educandos impedidos de freqüentar a escola, definindo e implantando estratégias de flexibilização e adaptação curriculares.

Palavras- Chave: Formação de Professores; Classe Hospitalar;
criança/adolescente hospitalizado.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
FONSECA, E.S. Atendimento Escolar no Ambiente Hospitalar. São Paulo: Memnon. 2003
MEC/SEESP. Classe Hospitalar e atendimento pedagógico domiciliar: estratégias e orientações.Brasília.
MEC/SEESP.2002
ORTIZ, Leodi Conceição Meireles. Construindo classe hospitalar: relato de uma pratica educativa em clinica pediátrica. Revista reflexão e Ação, v.8, n.1,p.93-100, jan/jun.2000.


quinta-feira, 7 de julho de 2011

AS CLASSES HOSPITALARES COMO MODALIDADE DE INCLUSÃO


Autores: Tyara Carvalho de Oliveira (Pós-Graduação UESA)

Prof. Dra. Amélia Escotto do Amaral Ribeiro FEBF/UERJ

No contexto atual não cabe falar apenas de escola inclusiva, mas, sim, de sociedade inclusiva. Isto se justifica na medida em que a inclusão não se restringe apenas aos portadores de algum tipo de deficiência; estende-se a todos que, de alguma forma, precisam ser incluídos (minorias étnicas,....). No contexto brasileiro, observa-se que a escola, na maioria das vezes, estrutura-se predominantemente para atender ao aluno ideal. Como conseqüência, constrói-se no imaginário institucional e pedagógico protótipos do que seja esse “aluno ideal”, e os alunos passam a serem classificados em duas categorias, qualitativamente distintas: os ditos “normais” e os “anormais”. Romper com essa visão dualista é o primeiro desafio a ser enfrentado pelo professor. Um dado no mínimo curioso a ser acrescentado diz respeito ao desconhecimento por parte dos alunos do Curso de Pedagogia a respeito de algumas modalidades da Educação Inclusiva.

O atendimento pedagógico hospitalar, denominado Classe Hospitalar, é uma dessas modalidades “desconhecidas”. O estar hospitalizado já caracteriza a criança e/ou adolescente como portador de necessidades especiais independentemente que essa necessidade seja temporária ou permanente. Assim, a classe hospitalar não inviabiliza os conceitos de integração e normalização. A criança e/ou adolescente é um cidadão que tem o direito ao atendimento de suas necessidades e interesses mesmo quando está doente. Em termos da prática pedagógica da classe hospitalar, esta implica interligações dos diversos aspectos de sua realidade (a criança, a patologia, os pais, os profissionais da saúde, o professor) com a realidade fora do hospital (Fonseca, 2003). Tal prática implica, inclusive, maior atenção dos Cursos de Formação de Professores quanto as possibilidades de atuação e formação que emergem das demandas mais amplas da sociedade. As demandas da sociedade transformam-se, necessariamente, em demandas de formação.